terça-feira, 19 de junho de 2012

Relatório Narrativo - Texto 2



Senti-me um ratinho de laboratório em um labirinto, fazendo horas e horas de treino em um circuito ridículo para fazer a carteira de habilitação categoria A, no qual em vez de ganhar um pedaço de queijo no final do percurso eu ganho a carteira! Gostaria de ter uma explicação em que aquilo seria útil na minha vida diária no trânsito?  A máfia dos CFCs é algo assustador!
O CFC recebe um balaio de dinheiro, e você não tem direito a nada, nem o básico, o banheiro é um cubículo imundo, sem sabonete para lavar as mãos, toalha pra que? O papel higiênico oferecido tem dupla finalidade, espalha e faz peeling; os capacetes velhos, rasgados e fedidos; a tal pista coberta falta um pedaço, com chuva você se molha até os ossos; colocam um número absurdo de pessoas treinando ao mesmo tempo, o que te deixa a maior parte dos 50min que tem direito esperando sua tão agraciada vez de percorrer  o circuito, mas você não pode nem entrar no local sem o pagamento antecipado!  Um dos detalhes que achei mais interessante no pagamento da prova foi que você paga o aluguel da moto para fazer a prova, eu disse que preferia fazer com a minha, não pode! Você é obrigado a pagar o aluguel da moto do CFC!
Três pontos e você roda! Se sair sem baixar a viseira, rodou! Agora me mostrem quem,  além de mim, anda com a viseira do capacete abaixada? Se sair com o pé direito no chão você roda, agora também gostaria de entender, você coloca a primeira marcha com o pé esquerdo, apoia o direito no chão, depois tem que trocar o pé, fica dançando irish dance em cima da moto;  se não verificar se a luz da moto está acesa você roda, agora alguém me explique qual moto que a luz não acendo automaticamente ao dar a partida? Se cair da rampa você roda, uma rampa de 5cm de altura x 30cm de largura x 8m de comprimento, só que essa rampa não existe em nenhum outro lugar nos limites da cidade para você treinar sem ser dentro do CFC, e se vê obrigada a pagar mais aulas no valor de R$29,90 por cada 50min de treino! Que legal! Que opção que eu tenho?
Dos 17 que estavam fazendo a prova um pingo de gente  a estavam fazendo pela primeira vez, tinha um riquinho que estava fazendo pela 5ª! Ridículo, fico apavorada com a máfia, o cartel, em que somos obrigados a nos submeter para ter o direito a dirigir, o roubo descarado abençoado pelas nossas leis, e não se pode fazer nada!
A Pressão psicológica antes prova é algo digno de estudo cientifico, colocam todos amontoados do lado de fora em bancos de madeira sem encosto, num frio terrível! Pelo menos tinha uma meia água para aparar a garoazinha que caia na manha de hoje, um caminhão de treino tapando a pista por que é proibido ver a prova alheia, hummmm não entendi? Por que? Existem dois pesos e duas medidas que não pode ter testemunhas? O avaliador chega quase 30 min atrasado e nós quase tínhamos virado sorvete, com um discursinho ridículo sobre o circuito ser totalmente previsível e não ter como rodar (então como a grande maioria estava lá mais de uma vez?), você tem que levar o documento fora do plástico por que se levar ele te olha bem nos olhos com cara de quem acabou de ver um retardado babando e te ordena que o tire, será que ele não ganha o suficiente pra isso ou não teve o treino adequado para sacar o documento de identificação do saquinho? Diz que são normas, tenho vontade de rir disso, e da cara de PhDeus que ele faz pra ti na hora da prova, tipo: reles mortal, não és digno de uma carteira categoria A! Nem adianta ser  alfabetizado por que antes da prova você tem que assinar e sujar o dedo polegar para identificação, não é suficiente ter documento com foto verificado pelo “avaliaDeus”! Você já está nervosa, suando gelado nas mãos e com o dedo sujo de gel preto que tem que limpar na roupa por que não tem nenhum lenço de papel para o feito!
 os instrutores (riquinhos, dava pena de ver!) falando baixinho avisando que não era para olhar para o examinador (viramos estatua de sal?) lembrando cada detalhe, da viseira, da cinta jugular, da troca dos pés, do local certo de acender o pisca, pois cada detalhe pode rodar, um excesso de rigor na avalição em um circuito que em nada demonstra o trânsito das ruas,  mas o medo estava estampado no rosto de cada um!
Foi uma bela e inesquecível experiência, com certeza!
Ps.: obrigada ao Anderson, meu estimado instrutor, um ser iluminado com uma educação rara hoje em dia!